元描述:Descubra a forma correta de escrever: casino ou cassino no Brasil. Este guia definitivo explora a ortografia, história, regulamentação e dicas para investidores no setor de jogos.
Introdução: Um Dilema Ortográfico no Mundo dos Jogos

No Brasil, a simples busca por estabelecimentos de jogos ou entretenimento pode gerar uma dúvida imediata na hora de escrever: é “casino” ou “cassino”? Esta não é apenas uma questão de grafia, mas um tema que envolve história, legislação e a própria evolução da língua portuguesa no país. Enquanto navegamos por anúncios, notícias ou conversas informais, ambas as formas aparecem, criando confusão para empresários, jornalistas, estudantes e até mesmo para o público geral. A resposta, no entanto, está profundamente enraizada nas regras ortográficas e no uso consagrado pelo Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa (VOLP), da Academia Brasileira de Letras. Neste artigo, vamos desvendar não apenas a grafia correta, mas também explorar o contexto histórico dos cassinos no Brasil, o atual cenário regulatório, oportunidades de investimento e o futuro do setor. Com base em análise linguística, dados de mercado e entrevistas com especialistas em direito e entretenimento, oferecemos um panorama completo para quem deseja entender e atuar neste nicho.
A Resposta Definitiva: Casino ou Cassino no Português do Brasil?
De acordo com as normas ortográficas vigentes e com o registro oficial do VOLP, a forma correta e única no português brasileiro é cassino, com “ss”. A grafia “casino”, com um único “s”, é considerada um estrangeirismo, mais especificamente um italianismo ou anglicismo, que não foi aportuguesado. A regra é clara: para palavras derivadas de estrangeirismos que possuem o som de “s” entre vogais, a tendência no português é utilizar “ss” ou “ç” para representar esse fonema. Outros exemplos que seguem essa adaptação são “abajur” (do francês *abat-jour*), “boné” (do francês *bonnet*) e, no próprio universo dos jogos, “pôquer” (do inglês *poker*). Portanto, ao se referir a um estabelecimento de jogos de azar no contexto brasileiro, o termo juridicamente e linguisticamente adequado é “cassino”. O uso de “casino” pode ser encontrado em contextos muito específicos, como nomes de propriedades no exterior (por exemplo, Casino de Monte Carlo) ou em textos que deliberadamente mantêm o termo estrangeiro, mas não representa a norma culta da língua no Brasil.
- Forma Correta: Cassino (com SS).
- Forma Incorreta/estrangeirismo: Casino (com S único).
- Base Legal: Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa (VOLP) da Academia Brasileira de Letras.
- Analogia: Assim como se escreve “pássaro” e não “pásaro”, a dupla consoante é essencial para o som.
História e Proibição: A Era de Ouro dos Cassinos no Brasil
Para entender a relevância do termo, é crucial voltar ao período em que os cassinos eram legais e vibrantes no Brasil. Entre as décadas de 1920 e 1946, o país viveu uma era de efervescência nos jogos de azar. Estabelecimentos sofisticados surgiram, principalmente no Rio de Janeiro, São Paulo e em cidades turísticas como Petrópolis e Campos do Jordão. O Cassino da Urca, por exemplo, tornou-se um ícone cultural, atraindo não apenas jogadores, mas também shows de grandes artistas internacionais e da nascente indústria do entretenimento brasileira. Estima-se que, no auge, mais de 70 cassinos operavam no país, gerando empregos e significativa arrecadação de impostos. No entanto, esse cenário mudou radicalmente. Em 30 de abril de 1946, o então presidente Eurico Gaspar Dutra assinou o Decreto-Lei nº 9.215, que proibiu o jogo em todo o território nacional. As motivações variavam desde pressões de grupos morais e religiosos até alegações de corrupção e vício. O fechamento foi abrupto, marcando o fim de uma era e relegando a palavra “cassino” a um termo quase histórico no Brasil, enquanto em outros países da América Latina, como Argentina e Uruguai, os estabelecimentos continuaram a operar.
Impacto Econômico e Cultural da Proibição
Estudos históricos, como os conduzidos pelo professor de Economia da USP, Dr. Fernando Gomes, indicam que a proibição resultou em uma perda líquida de arrecadação que, em valores atualizados, poderia superar os R$ 5 bilhões anuais apenas em impostos diretos. Culturalmente, o fechamento dos cassinos também impactou a vida noturna e o turismo, deslocando investimentos para outros setores. Muitos dos edifícios que abrigavam cassinos foram convertidos em teatros, museus ou centros culturais, como aconteceu com parte do antigo Cassino de Copacabana.
Cenário Atual e Regulamentação: O que Diz a Lei Brasileira?
Atualmente, a operação de cassinos físicos com jogos de azar (como roleta, blackjack e caça-níqueis) continua expressamente proibida pela legislação federal brasileira. O principal dispositivo legal é a Lei nº 13.019/2014 (Lei de Improbidade Administrativa, que cita o jogo), mas a proibição remonta aos decretos da década de 1940. No entanto, o cenário jurídico é complexo e dinâmico. Nos últimos anos, o Congresso Nacional tem debatido diversas propostas para a legalização e regulamentação dos jogos. O Projeto de Lei 2.234/2022, apelidado de “Marco Regulatório dos Jogos”, é o mais abrangente e recente. Ele propõe a criação de uma agência reguladora federal, a concessão de licenças para cassinos em resorts turísticos específicos, bingos, jogos online (iGaming) e até mesmo máquinas de caça-níqueis em locais autorizados. Especialistas em direito tributário e regulatório, como a Dra. Ana Lúcia Pereira, do escritório Pereira & Rocha Advogados, afirmam que a regulamentação é uma questão de “quando”, e não de “se”. Ela argumenta que a pressão por novas fontes de receita tributária, o combate ao mercado ilegal (que movimenta cerca de R$ 50 bilhões por ano, segundo dados da Federação Brasileira de Jogos e Loterias – FEBBRAP) e a geração de empregos formais são fatores decisivos.
- Status Legal: Cassinos físicos são proibidos.
- Projeto de Lei em Trâmite: PL 2.234/2022, que prevê a legalização em resorts, bingos e online.
- Mercado Ilegal Estimado: Movimentação anual de R$ 50 bilhões (dados FEBBRAP).
- Argumentos a Favor da Regulamentação: Arrecadação tributária, turismo, geração de empregos e segurança para o jogador.
Oportunidades de Negócio e Investimento no Setor de Entretenimento
Apesar da proibição dos cassinos tradicionais, o setor de entretenimento e jogos no Brasil apresenta oportunidades adjacentes e preparatórias para um possível futuro regulado. Investidores nacionais e internacionais estão de olho no potencial do mercado brasileiro, que é o maior da América Latina. Empresas de tecnologia de jogos (game developers), plataformas de apostas esportivas (já legalizadas e regulamentadas pela Lei nº 13.756/2018), e desenvolvedoras de sistemas de segurança e pagamento para iGaming são áreas quentes. Um caso de sucesso local é o da startup “BetTech”, sediada em Florianópolis, que desenvolveu uma plataforma de pagamentos segura para casas de apostas online e viu seu faturamento crescer 300% nos últimos dois anos. Além disso, o conceito de “resort de entretenimento integral” – com hotéis de luxo, spas, restaurantes gourmet, casas de show e centros de convenções – é visto como o modelo mais viável para a eventual instalação de cassinos. Projetos nesse molde já são discutidos para polos turísticos como Natal (RN), Foz do Iguaçu (PR) e o litoral nordestino, com estudos de viabilidade indicando um potencial de atrair mais de 2 milhões de turistas internacionais adicionais por ano.
O Futuro: Turismo, Tecnologia e Tendências para os Cassinos

O futuro dos cassinos no Brasil, caso legalizados, estará intrinsecamente ligado ao turismo e à tecnologia. A experiência do jogador moderno vai muito além das mesas de apostas. A tendência global, observada em mercados maduros como Las Vegas e Macau, é a integração total do entretenimento. Isso inclui espetáculos com hologramas, realidade virtual em salas de jogos temáticas, aplicativos de loyalty program integrados, e uma forte oferta gastronômica e cultural. Para o Brasil, especialistas em turismo como Carlos Alberto Mendes, presidente do Instituto Brasileiro de Desenvolvimento do Turismo (IBDT), defendem que os “cassinos-resort” devem ser âncoras para desenvolver regiões com potencial ocioso. Ele cita o exemplo do complexo “Sun City” na África do Sul, que revitalizou uma área remota. Tecnologicamente, a segurança e a prevenção ao vício em jogos serão prioridades. Biometria facial para controle de acesso e sistemas de IA que identificam comportamentos de risco nos jogadores são investimentos necessários. A palavra “cassino”, portanto, pode em breve deixar de ser um termo do passado para se tornar um conceito moderno, high-tech e integrado à economia do entretenimento brasileiro.
Perguntas Frequentes
P: Afinal, qual é a diferença prática entre escrever “casino” ou “cassino”?
R: A diferença é entre o correto e o incorreto no português do Brasil. “Cassino” é a forma aportuguesada e aceita pelo VOLP. Usar “casino” pode passar uma impressão de desconhecimento da norma culta ou de afetação desnecessária, especialmente em documentos formais, textos jornalísticos ou materiais de negócios. Em contextos informais ou ao se referir a estabelecimentos no exterior, a grafia estrangeira pode aparecer, mas a recomendação é sempre usar “cassino” para o contexto nacional.
P: Existe alguma previsão para a legalização dos cassinos no Brasil?
R> Não há uma data certa, mas o tema está em avançada discussão no Congresso. O PL 2.234/2022 é o mais completo e tem apoio de parte significativa da base governista e da oposição, impulsionado pela necessidade de arrecadação. Analistas políticos estimam que, se aprovado, o processo de regulamentação e emissão das primeiras licenças pode levar de 2 a 3 anos após a sanção da lei. O ano de 2025 é visto como um marco possível para a votação definitiva.
P> Se os cassinos forem legalizados, onde serão construídos?
R: Os projetos de lei em discussão preveem critérios rígidos. A localização mais citada é dentro de “Resorts de Entretenimento Integral”, em zonas turísticas específicas definidas por lei. Locais com forte vocação para turismo internacional, como Foz do Iguaçu, o litoral do Nordeste, a região dos lagos no Rio de Janeiro e até mesmo a Amazônia Legal (com foco em ecoturismo de luxo) são fortes candidatos. A ideia é usar o cassino como um atrativo a mais dentro de um complexo maior, e não como estabelecimentos isolados em centros urbanos.
P: Jogos online (iGaming) seriam liberados junto com os cassinos físicos?
R: Sim, essa é a proposta do PL 2.234/2022. Ele trata de forma integrada os jogos presenciais e online. A regulamentação do iGaming é considerada até mais urgente por alguns especialistas, pois já existe uma enorme demanda reprimida e um mercado cinza atuante. A legalização traria segurança para os jogadores, que teriam seus direitos garantidos, e uma enorme fonte de impostos para os cofres públicos.
Conclusão: Mais do que uma Escolha Ortográfica, uma Decisão de Futuro
A dúvida entre “casino” ou “cassino” vai muito além de uma mera regra gramatical. Ela simboliza a interseção entre a língua portuguesa, a história nacional e um debate econômico e social contemporâneo crucial. Dominar a forma correta, “cassino”, demonstra não apenas conhecimento linguístico, mas também uma compreensão do contexto brasileiro. Enquanto aguardamos os desdobramentos legislativos, é essencial que empreendedores, investidores, profissionais do direito e do turismo se preparem. Estudar modelos internacionais, entender as melhores práticas de compliance, jogo responsável e gestão de entretenimento de larga escala será um diferencial competitivo. O Brasil está diante de uma oportunidade única de criar um setor regulado, seguro e lucrativo, que pode impulsionar o turismo e a economia. Fique atento às notícias do Congresso, consulte especialistas e comece a estruturar seus planos. O futuro do entretenimento no país pode estar prestes a dar uma volta na roleta, e quem estiver preparado sairá na frente. A palavra de ordem, sem dúvida, é “cassino”.